Mas um dos meus bateu.
Era um dia de aula comum e eu estava me esforçando bastante pra prestar atenção na matéria. Foi quando escutei alguém batendo e levantei a cabeça pra ver quem era. A sala de aula do meu primeiro ano (um beijo pros colegas da legendária 104!) ficou instantaneamente quieta pra ouvir o recado. Uma menina quase da nossa idade tinha um aviso pra dar. (Quem nunca ficou feliz por ter uma aula entediante interrompida por um aviso?) Mal sabia eu que aquele aviso mudaria minha vida para sempre. A então desconhecida, hoje grande amiga Jéssica Máximo, falava sobre uma oportunidade de viajar para o exterior. O Programa Jovens Embaixadores havia proporcionado uma experiência incrível a ela, que então passou a espalhar as boas novas e encorajar vários estudantes a participarem.
Para ser selecionado, era necessário cumprir uma série de pré-requisitos: ser aluno de ensino médio de escola pública, ter de 15 a 18 anos, fazer trabalho voluntário, entre outros. Depois que o recado foi dado e a menina foi embora, uma série de cabeças se viraram na direção do fundo da sala, onde eu me assentava . As frases seguintes foram do tipo “você tem que tentar, Raquel! É a sua cara!” ou um outro comentário: “Nossa, tenta sim! Você já passou!” Anotei o site que a menina tinha mencionado na margem de cima do caderno e prometi pra mim mesma que daria uma olhada. Afinal de contas, que mal isso faria? Na época ainda era o site da Embaixada Americana, mas hoje o Jovens Embaixadores tem seu site, Facebook, Twitter e tudo o mais que você possa imaginar próprios! Haha =)
O passeio pelo site não foi o bastante pra me convencer. A história toda de ir para os Estados Unidos com todos os custos cobertos ainda me deixava meio com o pé atrás. Deixei a idéia de lado por uns dias. Mas fui forçada a reconsiderar a idéia quando vi a mesma menina que havia dado o recado na minha sala de aula na capa do caderno D+, do Jornal Estado de Minas, um dos mais respeitados no meu estado. Foi um sinal divino: eu tinha mesmo que tentar.
Entreguei minha documentação no centro binacional de Belo Horizonte, no nosso caso o ICBEU – Instituto Cultural Brasil - Estados Unidos. Os formulários eram entregues em papel. Lembro de levar um envelope recheado de documentos no último dia do prazo. Entreguei meu sonho nas mãos de Deus e da moça da secretaria. Agora vinha a parte mais divertida: esperar. Essa era a primeira vez na minha vida que eu me inscrevia pra algo extracurricular: não tinha muita certeza de como o processo se desenrolaria até o final ou quantas pessoas estavam participando. O que eu sabia com certeza era que se eu conseguisse ser selecionada, minha vida jamais seria a mesma.
Por incrível que pareça, eu nunca estava em casa quando me ligavam me dizendo que eu havia sido selecionada para a próxima etapa. Foi assim com a prova escrita e a prova oral. Sempre chegava em casa tinha um recado na geladeira , dizendo que eu tinha que fazer uma prova no dia e horários tal. Engraçado que quem me conhece hoje não sabe o quanto essa seleção foi um misto de emoções pra mim. Eu ficava me perguntando o que seria se eu não passasse, se não conseguisse. A cada dia eu estava mais perto do que eu tanto queria, mas às vezes tudo parecia tão distante. Por vezes a incerteza me fez chorar. E desde os meus 16 anos eu aprendi a confiar em mim mesma e a acreditar na possibilidade de alcançar meus objetivos.
Meu nome estava entre dos três finalistas que o ICBEU enviou para a Embaixada em Brasília. Não havia muito que fazer, a decisão final estava nas mãos de Deus e daqueles que fariam a triagem. Somente um nome dentre os três seria escolhido. A data do anúncio prevista atrasou e a ansiedade só aumentava. Por fim, eu parei de pensar demais na data e só queria saber do resultado. Eu sabia que uma das listas mais importantes da minha vida até então poderia ser anunciada a qualquer momento. E foi.
Eu estava no colégio quando recebi uma mensagem no celular da minha irmã, dizendo que me buscaria de carro. Fiquei super feliz porque chegaria em casa mais cedo pra almoçar, ao invés de ter que esperar pelo ônibus lotado do horário da saída ou caminhar meia hora no sol. =) Mas senti que tinha alguma coisa meio estranha naquilo tudo. Mas não ia reclamar da carona.
Quando chego em casa, minha tia me avisa que alguém do ICBEU havia me ligado e que eu deveria ligar de volta. Liguei imediatamente e a secretaria me disse que de acordo com o site, eu havia sido selecionada pelo programa. Sim, eu era uma JOVEM EMBAIXADORA 2008!!! Eu não consegui acreditar, então corri para o computador pra confirmar. Quando vi a lista com os nomes daqueles que dividiriam uma das mais incríveis experiências da minha vida comigo, caí no choro. Chorei por causa da felicidade que aquilo me fazia sentir, pelo receio de ir para um lugar maravilhoso, longe e desconhecido “sozinha”, pelo alívio de saber que todas as expectativas que eu havia criado tinham sido respondidas. Chorei por ser uma pessoa muito abençoada e sortuda! ;D
Agora o que importava era conhecer meus futuros companheiros de aventuras! (Toddyinho..haha) Conversas infindáveis no MSN que varavam madrugadas, grupo no decadente Orkut ou até algumas ligações interurbanas! Valia de tudo pra falar com os mais novos membros da nossa família. E como é bom ter uma casa em cada um dos estados brasileiros! Melhor que ter uma casa é ter irmãos te esperando de braços abertos em cada uma delas. Aprendi tanto sobre o Brasil! E continuo aprendendo. De Jucurutu , RN à Jaboatão dos Guararapes, PE; de Manaus, AM à Pomerode, SC, cada um daquele grupo tinha(e tem!) algo de muito especial: um sotaque, um sorriso, um regionalismo.
Nossa família esteve unida desde o primeiro dia em que fomos apresentados.
Nos próximos posts falarei um pouco sobre o que fizemos durante os dias do Programa e depois dele. Caso você tenha ficado interessado no Programa Jovens Embaixadores ou conhece alguém que possivelmente se interesse, aqui vai o link do site:
http://www.embaixada-americana.org.br/ya-index.php
Nós próximos posts comentarei sobre o que fizemos durante (e depois) do Jovens Embaixadores!
Abraços!
Nasceu pra brilhar!!!!
ResponderExcluirKel, chorei aqui!! Muito legal reviver essas experiências! Vou escrever tb! Sempre tive vontade de fazer um retro desde o Programa até os dias de hoje. Agora vc me animou! Bjõões e estou ansiosa para os próximos posts!
ResponderExcluirEu me arrepiei lendo. Deve ser pq vivenciei momentos muito semelhantes. =]
ResponderExcluirBjos grandes.